JUNG
- Jung moveu-se
em direção a uma concepção de arquétipos como padrões autônomos de significado
que informa a ambos: psique e matéria, providenciando uma ponte entre o
interior e o exterior. A sincronicidade postula um significado que está a
priori em relação a consciência humana e aparentemente existe fora do homem.
Sempre que
entramos em contato com um arquétipo entramos numa relação com fatores
transconscientes e metafísicos.
Os últimos
trabalhos de JUNG aproximaram intimamente a compreensão de um mundo com alma,
uma alma do mundo- anima mundi – na qual a psique humana participa e com a qual
ela compartilha os mesmo princípios ordenadores de significado.
Jung considera a
natureza essencial da psique humana como sendo religiosa.
Segundo Jung, a
humanidade tem suas vias para estabelecer estas conexões:
“O mito é pré
eminentemente um fenômeno social: é contado por muitos e ouvido por muitos. Ele
oferece a inimaginada e ultima experiência religiosa: uma IMAGEM, uma forma na
qual se expressar, e isto torna a vida comunitária possível”.
Jung também
coloca no que diz respeito à encarnação de Deus :
“O ego é
participante do sofrimento de Deus. Nós nos tornamos participes da natureza
divina. Nós somos o vaso do sofrimento da Divindade no corpo”.
A individuação e
a existência individual são indispensáveis para a transformação de Deus. A
consciência humana é o único olho vidente da Divindade.
Apesar da
encarnação divina ser um evento cósmico e absoluto, ele apenas se manifesta
empiricamente naqueles relativamente poucos indivíduos capazes de consciência
suficiente para tomar decisões éticas, isto é,
decidir pelo bom.
O conhecimento do
que é bom não é dado a priori, para isto é necessário uma consciência capaz de
discernir e distinguir. Não uma tal coisa como O BOM em geral, porque algo que
é definitivamente bom em uma situação pode ser definitivamente mal em outra.
O significado do
homem é substancializado pela encarnação. Nós nos tornamos participantes da
vida divina e devemos assumir uma nova responsabilidade , a propósito da
continuação da realização divina, que se expressa na tarefa de nossa
individuação.
Individuação não
significa apenas que o homem se tornou verdadeiramente humano e distinto do
animal, mas que ele também se tornou parcialmente divino. Isto significa que
ele deve tornar-se adulto, responsável por sua existência, sabedor de que ele
não apenas depende de Deus mas que Deus também depende dele.
A relação do
homem com Deus deve submeter-se a uma mudança importante: em vez de adorações a
um rei, ou as orações de uma criança a um pai adorável, a responsável e viva e
realizadora vontade divina em nos, será nossa forma de adorar e de trocar com
Deus. Sua bondade significa graça e luz e seu lado obscuro, as terríveis
tentações de poder. São as distinções entre o ego e self. Quando o ego se torna
capaz de perceber um centro transpessoal. Então ele começa a ter uma percepção
do que significa a Vontade Divina.
(TEXTO USADO POR ADRIANA FERREIRA EM TIRADENTES/2013, SEMINÁRIO DE SONHOS)
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