
PALOMA DE LA PAZ- P. PICASSO -
SÍMBOLO – JUNG – RETIRADO DO SITE: “RUBEDO”
Muito embora seja possível determinar um tempo e um lugar em particular para a definição de SÍMBOLO de Jung, é menos fácil descrever a evolução de suas idéias sobre a imagem. Talvez seja verdade que a progressão desde se falar de símbolo até a concentração sobre a imagem é um fenômeno da psicologia analítica em seu período pós-junguiano (cf. Samuels, 1985a), porém uma observação exata dos escritos pessoais de Jung parece substanciar uma definição de imagem que contém ou amplifica o símbolo, sendo o contexto em que este se insere, seja pessoal ou coletivo.
O trabalho a que Jung se dedicou em sua vida, lado a lado com seus escritos, parece dominado por determinadas configurações psíquicas em torno das quais ele se move em CIRCUMAMBULAÇÃO, vendo-as sempre de modo mais profundo e nítido, assim possibilitando-o a preencher ou moldar uma forma básica. Portanto, embora misturasse as palavras símbolo e imagem em diferentes ocasiões, em sua carreira profissional, usando estas palavras quase como sinônimos uma da outra, afinal de contas iria parecer que ele concebia a imagem tanto anterior a como maior que a soma de seus componentes simbólicos. Em suas próprias palavras: “A imagem é uma expressão condensada da situação psíquica como um todo, e não meramente, ou mesmo predominantemente, de conteúdos inconscientes puros e simples” (CW 6, parág. 745).
A compreensão da imagem por Jung modificou-se no curso de toda uma vida. Originalmente formulada como um conceito, a imagem era experimentada como uma presença que acompanhava a psique. Sua mais notável descoberta verificada empiricamente, poderia ser de que a própria psique não ocorre “cientificamente”, isto é, mediante hipótese e modelo, mas sim imagisticamente, isto é, através do MITO e da METÁFORA. Contudo, Jung diz sobre a imagem:
Ela, sem dúvida, realmente expressa conteúdos inconscientes, mas não o todo deles, apenas aqueles que estão momentaneamente constelados. Essa constelação é o resultado da atividade espontânea do INCONSCIENTE, por um lado, e da momentânea situação consciente, pelo outro... A INTERPRETAÇÃO de seu significado, portanto, não pode partir nem do consciente exclusivamente nem do inconsciente exclusivamente, mas somente do relacionamento recíproco destes (ibid., grifo acrescentado).
Isso realça o lugar da emoção e do AFETO com respeito às imagens. Enquanto, considerando-se de um ponto de vista causal, teórico ou científico, as imagens são supostamente objetivas, por sua natureza são também altamente subjetivas (ver MÉTODOS REDUTIVO E SINTÉTICO). Em virtude da imagem ser um continente dos opostos, em contraste com o símbolo que é um mediador dos opostos, não se prende a uma posição qualquer, porém em cada uma podem ser encontrados elementos dela. Como exemplo, a imagem da ANIMA é tanto uma experiência interior como exterior a um só e mesmo tempo; do mesmo modo que “mãe” ou “rainha”. Em parte, o trabalho da ANÁLISE consiste na diferenciação que prepara uma reunificação dos OPOSTOS como parte de um conjunto de imagens renovado e mais consciente. Quer dizer, a vida por ser real não é menos psicológica.
A imagem é sempre uma expressão da totalidade percebida e percebível, apreendida e apreensível, pelo indivíduo. Enquanto, sobretudo no fim de sua vida, Jung discriminava entre a imagem arquetípica e o ARQUÉTIPO per se, na prática são as imagens que excitam o observador (por exemplo, o sonhador) até o grau de ele ser capaz de incorporar ou compreender ou realizar (tornar consciente) o que ele percebe. De acordo com Jung, a imagem é dotada de um poder gerador; sua função é incitar; ela é psiquicamente compelidora.
Resumindo, as imagens têm a facilidade de gerar suas iguais; movimento nas imagens em direção à sua realização é um processo psíquico que nos atinge pessoalmente. Tanto observamos de fora como também participamos ou sofremos como uma figura no drama. “É um fato psíquico”, escreve Jung, “que a FANTASIA está acontecendo e ela é tão real como você – enquanto entidade psíquica – é real. Se essa operação crucial de entrar ativamente em sua própria reação não é levada a cabo, todas as mudanças são deixadas ao fluxo das imagens e a pessoa mesmo não muda.” (CW 14, parág. 753). A vida psicológica enfatiza, sobretudo, a necessidade de uma reação subjetiva às imagens, desse modo estabelecendo um relacionamento, um diálogo, um envolvimento ou um toma-lá-dá-cá que resulta eventualmente em uma CONIUNCTIO, em que tanto a pessoa como a imagem são afetadas (ver EGO; FUNÇÃO TRANSCENDENTE; IMAGINAÇÃO ATIVA). Esse relacionamento é o foco de atenção atual entre psicólogos analíticos, simbolizada por uma ênfase em empatia, relacionar-se e EROS.
Embora boa parcela de atenção tenha sido dada aos símbolos individuais, Hillman (1975) também tentou esclarecer o conceito de imagem. O relacionamento apropriado entre o indivíduo e a imagem é expresso por um estudioso do islamismo, Corbin (1983): “a própria imagem abre caminho àquilo que jaz além dela, em direção àquilo que simboliza”. Corroborando isso, temos a afirmação de Jung: “Quando a mente consciente participa ativamente e experimenta cada estágio do processo, ou pelo menos o compreende intuitivamente, então a imagem seguinte (uma ampliação da imagem original) sempre brota no nível mais elevado que se conquistou e uma intencionalidade se desenvolve” (CW 7, parág. 386). Ver IMAGO; PONTO DE VISTA TELEOLÓGICO; REALIDADE PSÍQUICA.
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