Para e por sonhadores, em busca de uma vida com mais sentido e poesia. Através de sermos inteiros.
domingo, 14 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
ARTE E JUNG
OBRA DE JUNG
“O significado social da obra de arte é que ela trabalha continuamente na educação do espírito da época, pois traz à tona aquelas formas das quais a época mais necessita”.JUNG
“Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, elevando simultaneamente aquilo que qualifica de único e efêmero na esfera do contínuo devir, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade e com isto também solta em nós todas aquelas forças benéficas que desde sempre possibilitaram à humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver a mais uma noite”.Jung,
“A
relativa inadaptação do artista significa para ele uma vantagem real,
permite-lhe permanecer afastado da estrada principal, seguir seus próprios
anseios e encontrar aquilo de que os outros, sem o saber, sentiam falta. Assim
como no indivíduo a unilateralidade de sua atitude consciente é corrigida por
reações inconscientes, a arte representa um processo de autorregulação
espiritual na vida das épocas e das nações”. (C. G. Jung)
“O significado social da obra de arte é que ela trabalha continuamente na educação do espírito da época, pois traz à tona aquelas formas das quais a época mais necessita”.JUNG
“Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, elevando simultaneamente aquilo que qualifica de único e efêmero na esfera do contínuo devir, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade e com isto também solta em nós todas aquelas forças benéficas que desde sempre possibilitaram à humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver a mais uma noite”.Jung,
domingo, 7 de julho de 2013
PEDAÇOS DE MIM
MONDRIAN
Fui Sabendo de Mim
Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia
... pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia
fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei
eu vi
a árvore morta
e soube que mentia
MIA COUTO
No livro "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Fui Sabendo de Mim
Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia
... pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia
fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei
eu vi
a árvore morta
e soube que mentia
MIA COUTO
No livro "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
segunda-feira, 24 de junho de 2013
POEMA AULA DE DESENHO

RENÉ MAGRITE
AULA DE DESENHO
MARIA ESTHER MACIEL
Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.
domingo, 16 de junho de 2013
CORPO
POEMA DE AUTORIA DE TATIANA LEMOS
"Teu corpo acorda meu corpo:
Vem!
Eu na cabeça, tentando encontrar linguagem; ele, à frente, já construindo oração
A dobra do teu joelho evoca o meu joelho
Que puxa a coxa, resolve o coxo
Que convida barriga a encontrar seu lugar contra as costas
Que anima os braços a formarem o laço que
Prende
Aperta
Molda
A massa da vida
O teu pulso, eu ouço
A cabeça não acompanha
Lenta
Lesa
Insuficiente
A dança pertence a seu próprio compasso
E, de repente, eu
Surdo
Cego
Murmurante
E nunca tão perfeitamente
Vivo"
sexta-feira, 14 de junho de 2013
CARTA DE LYGIA CLARK A SEU FILHO
APROVEITANDO MATERIAL ENVIADO POR RAPHAEL PRINCE.
HÁ COISAS QUE DEVEM SER LIDAS MAIS DE UMA VEZ.
CARTA DE LYGIA CLARK PARA SEU FILHO
Meu filho,
Você é um ser.
Existe na medida do mundo.
É pouco.
O mundo é a constatação da realidade exterior que te cerca.
É a tua medida inicial.
É o teu começo mas não o teu fim.
É o chão da tua expressividade pois você é um ser vertical.
Para cima do chão há o “invisível”.
Você pode olhar os seus pés mas não a sua própria imagem.
Esta você a percebe.
Na verticalidade está a medida da sua procura.
Quando você aceitar a simples constatação da vida, aí sim, será o seu começo.
O primeiro sentimento será de perda pois tudo que cai na constatação é vivido como ganho.
Tudo adquirido como perda até a integração absoluta do “o percebido” no seu interior.
É a própria dinâmica da vida: perde-ganha.
Quando você se sentir no mais absoluto desespero você está sendo salvo.
Solte e aceite a tua intuição que te levará a uma aparente solução – solução esta sempre provisória.
Aceite o provisório pois jamais o processo pode parar.
A vida pode vir a ser uma realidade extraordinária desde que você esteja voltado para sua procura interior.
Não há realidade independente do “interior de si”.
Desconfie das coisas claras, a pureza é descoberta dentro da maior conturbação de uma crise. É o ponto luminoso dentro da maior escuridão.
O teu corpo meu filho, é o veículo da tua vivência.
Não o impeça de florir por nada. Cuide dele como você cuida do teu carro.
Toda a tua riqueza interior vai suá-lo, sujá-lo, e até sangrá-lo.
Quando ele estiver gasto externamente você mesmo estará mais inteiriço e completo interiormente.
Você o despirá um dia como a crisálida deixa o casulo.
Ai de você se neste momento você é ainda o início não elaborado pois aí você vai saber que esteve permanentemente morto em vida.
de Lygia Clark, 1970.
Você é um ser.
Existe na medida do mundo.
É pouco.
O mundo é a constatação da realidade exterior que te cerca.
É a tua medida inicial.
É o teu começo mas não o teu fim.
É o chão da tua expressividade pois você é um ser vertical.
Para cima do chão há o “invisível”.
Você pode olhar os seus pés mas não a sua própria imagem.
Esta você a percebe.
Na verticalidade está a medida da sua procura.
Quando você aceitar a simples constatação da vida, aí sim, será o seu começo.
O primeiro sentimento será de perda pois tudo que cai na constatação é vivido como ganho.
Tudo adquirido como perda até a integração absoluta do “o percebido” no seu interior.
É a própria dinâmica da vida: perde-ganha.
Quando você se sentir no mais absoluto desespero você está sendo salvo.
Solte e aceite a tua intuição que te levará a uma aparente solução – solução esta sempre provisória.
Aceite o provisório pois jamais o processo pode parar.
A vida pode vir a ser uma realidade extraordinária desde que você esteja voltado para sua procura interior.
Não há realidade independente do “interior de si”.
Desconfie das coisas claras, a pureza é descoberta dentro da maior conturbação de uma crise. É o ponto luminoso dentro da maior escuridão.
O teu corpo meu filho, é o veículo da tua vivência.
Não o impeça de florir por nada. Cuide dele como você cuida do teu carro.
Toda a tua riqueza interior vai suá-lo, sujá-lo, e até sangrá-lo.
Quando ele estiver gasto externamente você mesmo estará mais inteiriço e completo interiormente.
Você o despirá um dia como a crisálida deixa o casulo.
Ai de você se neste momento você é ainda o início não elaborado pois aí você vai saber que esteve permanentemente morto em vida.
de Lygia Clark, 1970.
domingo, 12 de maio de 2013
O PODER NO SONHO
- KLIMT-
Elogio dos sonhos
SZYMBORSKA, Wisława
Nos sonhos
eu pinto como Vermeer
van Delft.
Falo grego fluente
e não só com os
vivos.
Dirijo um carro
que me obedece.
Tenho talento,
escrevo grandes
poemas.
Escuto vozes
não menos que os mais
veneráveis santos.
Vocês se espantariam
com minha performance
ao piano.
Flutuo no ar como se
deve
isto é, sozinha.
Ao cair do telhado
desço de manso na
relva.
Respiro sem problema
debaixo d'água.
Não reclamo:
consegui descobrir a
Atlântida.
Fico feliz de sempre
poder acordar
pouco antes de
morrer.
Assim que começa a guerra
me viro do melhor
lado.
Sou, mas não tenho
que ser
filha da minha época.
Faz alguns anos
vi dois sóis.
E anteontem um
pinguim.
Com toda a clareza.
Poemas. Trad. de Regina Przybycien.
São Paulo: Companhia das
Letras, 2011.
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