terça-feira, 29 de maio de 2012


O TEMPO E O VENTO
MÁRIO QUINTANA

(PARA ÉRICO VERÍSSIMO
EM COMEMORAÇÃO AOS SEUS 65 ANOS)

HAVIA UMA ESCADA QUE PARAVA DE REPENTE NO AR
HAVIA UMA PORTA QUE DAVA PARA NÃO SE SABIA O QUÊ
HAVIA UM RELÓGIO ONDE A MORTE TRICOTAVA O TEMPO

MAS HAVIA UM ARROIO CORRENDO ENTRE OS DEDOS BULIÇOSOS
DOS PÉS

E PÁSSAROS POUSADOS NA PAUTA DOS FIOS DO TELÉGRAFO

E O VENTO!

O VENTO QUE VINHA DESDE O PRINCÍPIO DO MUNDO
ESTAVA BRINCANDO COM SEUS CABELOS...

(in APONTAMENTOS DE HISTÓRIA SOBRENATURAL)

domingo, 27 de maio de 2012



"Aqueles que encontraram a fonte do amor dentro de si mesmos não têm mais necessidade de serem amados - e eles serão amados. Eles amarão por nenhuma outra razão além de simplesmente terem muito amor - assim como uma nuvem de chuva quer chover, assim como uma flor quer desprender seu perfume, sem desejo de conseguir qualquer coisa. A recompensa do amor está em amar, não em conseguir amor. E estes são os mistérios da vida: se uma pessoa é recompensada simplesmente por amar, muitas a amarão, porque, por estarem em contato com ela, lentamente começarão a descobrir a fonte dentro de si mesmas. Agora elas conhecem pelo menos uma pessoa que irradia amor e cujo amor é fruto de nenhuma necessidade. E quanto mais ela compartilha e irradia seu amor, mais ele cresce." OSHO

sexta-feira, 25 de maio de 2012



A mulher e o lobo



Uma mulher saudável é muito parecida com um lobo, grande força de vida, doação de vida, ciente de seu território, intuitiva e leal. Porém, a separação de sua natureza selvagem faz com que uma mulher torne-se escassa
, ansiosa, e temerosa.

A natureza selvagem contém a medicina para todas as coisas. Ela transporta estórias, sonhos, palavras e canções. Ela carrega tudo que uma mulher precisa ser e saber. Ela é a essência da alma feminina...

Com a natureza selvagem como aliada e professora, nós não vemos apenas com através de nossos olhos, mas através dos muitos olhos da intuição. Com a intuição nós somos como uma noite estrelada, nós observamos o mundo através de milhares de olhos.


Isto não significa perder as socializações básicas de uma pessoa. Isto significa totalmente o oposto. A natureza selvagem tem uma integridade vasta com ela. Significa etabelecer território, encontrar o grupo de uma pessoa, estar em um corpo com certeza e orgulho, falar e agir a favor de si mesma, estar consciente, extrair os poderes naturais da intuição feminina e elevar-se com dignidade, proceder como um ser poderoso que é amistoso, mas nunca domesticado.

A mulher selvagem é aquela que troveja na face da injustiça. Ela é aquela pela qual nós abandonamos o lar para procurar e aquela pela qual nós retornamos ao lar. Ela é intuição, consegue ver longe, ouvir profundo, e ela tem um coração leal.

Ela deve vagar pelas antigas sendas, defender seu conhecimento instintivo, orgulhosamente ostentar as cicatrizes de batalha de sua época, escrever seus segredos em paredes, recusar ser envergonhada, liderar o caminho, ser astuta e usar sua perspicácia feminina. 





Onde podemos encontrá-la? Ela caminha nos desertos, cidades, florestas, oceanos, e na montanha da solidão. Ela mora nas mulheres em todos os lugares: em castelos com rainhas, nos escritórios e nos ônibus noturnos para os subúrbios.

Ela mora em um local distante que abre caminho através de nosso mundo. Ela mora no passado e é convocada por nós. Ela está no presente. Ela está no futuro e caminha de volta no tempo para nos encontrar agora.

Mulher selvagem sussurra as palavras e os caminhos para nós, e nós a seguimos. Ela corre à nossa frente, mas para e espera para ver se nós a estamos alcançando. Ela tem muitas coisas para nos mostrar.




Quer você possua um coração simples ou ambicioso, quer você esteja tentando alcançar o grande sucesso ou apenas atingir o dia de amanhã, a natureza selvagem pertence a você.

Não seja uma tola. Volte e fique sob aquela flor vermelha e caminhe, direto em frente para superar a última milha mais difícil. Escale até a caverna, rasteje através da janela de um sonho, examine o deserto e veja o que você encontra. É o único trabalho que temos que fazer.


Sem nós, a mulher selvagem morre. Sem a mulher selvagem, nós morremos. Para a verdadeira vida, ambos devemos viver.


O instinto maternal em cada um de nós é a Medicina do Lobo. Pois o Lobo é uma progenitora, e um progenitor. De forma simplificada, isto significa que o lobo detém a energia paternal e maternal em sua vibração. Esta é a verdadeira Medicina do Lobo. A Medicina do Lobo com a qual uma mulher caminha, que ela chama de intuição, é o Lobo amigo dela. No antigo caminho, o lobo amigo era conhecido por vir ao vilarejo proteger as crianças.
Esta energia do lobo amigo vem do sobrenatural. É a parte sobrenatural da mulher que sabe como alterar seu amor, sua intenção, e suas habilidades de criação para a forma do Lobo. Assim, ela vem ao vilarejo na forma de uma Loba, para proteger as crianças e os mais velhos carentes.





The Soul of the Indian

quinta-feira, 24 de maio de 2012


A palavra mágica

"Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra."

Carlos Drummond Andrade

terça-feira, 24 de abril de 2012

MALAS E SONHOS



(Classificados Poéticos)
ROSEANA MURRAY

Perdi maleta cheia de nuvens
e de flores,
maleta onde eu carregava
todos os meus amores embrulhados
em neblina.
Perdi essa maleta em alguma esquina
e algum sonho
e desde então eu ando tristonho
sem saber onde pôr as mãos.
Se andando pelas ruas
você encontrar a tal maleta,
por favor, me avise em pensamento
que eu largo tudo e vou correndo...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

EQUILIBRIO E POESIA



ROSEANA MURRAY

Procura-se um equilibrista
que saiba caminhar na linha
que divide a noite do dia
que saiba carregar nas mãos
um fino pote cheio de fantasia
que saiba escalar nuvens arredias
que saiba construir ilhas de poesia
na vida simples de todo dia.

(in Classificados Poéticos, ed. Moderna)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ARTE E O PENSAMENTO JUNGUIANO


CAMILLE PISSARRO - FRANÇA-

GOSTEI DESTE ARTIGO, ENCONTRADO NO BLOG: "TAGARELANDO", E ACHEI POR BEM COMPARTILHAR.

"Arte é a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida" (Jung, 1920).

Bem, falar sobre o pensamento "junguiano" ou da teoria "junguiana" quase que somos obrigados a nos remeter à vida de Jung, visto que toda consideração teórica é a posteriori - isto é, primeiro vivemos e depois "teorizamos". Assim sendo eu gostaria de fazer um pequeno apanhado biográfico para percebermos a relação entre "a psicologia junguiana" e o "fazer artístico" ou a "Terapia em forma de arte".

A eficiência do uso terapêutico da arte, está no fato de ser uma expressão da capacidade de "auto-regulação" ou de "auto-cura" da alma. Para Jung a arte em si não são "manifestações" neuróticas da humanidade nem forma de sublimação de uma neurose. Pelo contrario, é justamente a ausência da arte e da religião na vida de uma pessoa um fator importante no desenvolvimento e agravamento das neuroses.

A importância da Arte e da Religião está no fato de serem expressões simbólicas da psique. Para isso ficar mais claro devemos dar um pouco de atenção ao modelo junguiano "funcionamento" da psique.

Para Jung, a psique é formada pela consciência e pelo inconsciente (sendo que o inconsciente possui tanto características pessoais quanto impessoais ou coletivas - que Jung dividiu em pessoal e coletivo). A psique é sistema energético relativamente fechado, caracterizado pela autonomia e pelo movimento constante e dinâmico da energia psíquica entre suas instancias.

No sistema psíquico é imperativo que haja um equilíbrio dinâmico entre o inconsciente e a consciência. O desequilíbrio energético é sempre compensado de alguma forma na busca do equilíbrio. Essas formas de compensação podem ser produções artísticas, sonhos, ou mesmo os sintomas neuróticos. O que chamamos de "neurose" ou mesmo na psicose é quando o equilíbrio fica comprometido, ou seja, quando as tentativas de re-equilibrar o sistema psíquico falham. Geralmente, essa falha ocorre pelo distanciamento entre a consciência e o inconsciente, onde a consciência assume uma atitude "unilateral", ou seja, a relação excessivamente direcionada para o que é "externo" em detrimento ao inconsciente, ou seja do mundo interior. Os sintomas estão ali indicando o caminho. Indicando onde e o que precisa mudado para reorganizar ou re-equilibrar o sistema psíquico.

A forma natural da busca de equilíbrio psíquico ocorre por meio dos símbolos, que permeiam toda a relação psíquica. Os símbolos são os responsáveis pelo processo de transformação ou de passagem da energia psíquica entre inconsciente e a consciência - distribuindo-a de forma a "levá-la à atividade útil". Por isso sempre que falamos em produções do inconsciente - sejam elas sonhos, produções artísticas, sintomas - falamos de seu significado simbólico. Os símbolos são uma forma de acessar o inconsciente.

Para isso ficar mais claro devemos entender um pouco sobre o significado de símbolo para compreendermos nosso contexto. A palavra símbolo tem sua origem no termo grego "symbolon" que significa marca, sinal de reconhecimento, contra-senha que está relacionado ao verbo grego symbállein que é colocar junto, fazer coincidir, juntar. O termo símbolo exprime a união de iguais que foram separados e que ao se encontrarem, se reconhecem tornando-se um.
A função psíquica do símbolo é semelhante à expressa historicamente na cultura: reconhecer e unir. Assim o símbolo é uma ponte que aproxima o inconsciente e a consciência. Igualmente a uma ponte o símbolo possui um lado que fala a consciência e um lado que repousa no inconsciente, por isso um símbolo nunca é totalmente racional, dessa forma, não se pode racionalizá-lo dizendo "Este símbolo significa isso ou aquilo". Quando se atribui um único significado ao "símbolo", ele se torna um sinal, algo próprio da consciência. A diferença entre símbolo e sinal está no fato de que "Um sinal sempre aponta para uma idéia consciente(...) Um sinal é sempre menos do que a coisa que quer significar, e um símbolo é sempre mais do que podemos entender a primeira vista. Por isso não nos detemos diante de um sinal, mas vamos até o objetivo para o qual aponta; no caso do símbolo, porém, nós paramos porque ele promete sempre mais do que revela." Os símbolos surgem espontaneamente do inconsciente.

Todo símbolo depende de quem o vivencia, o que é simbólico para um para outro pode ser algo desprezível. Por isso, via de regra, não cabe a nós julgar o que é simbólica para outra pessoa. Até mesmo alguns símbolos que são "universais", isto é, estão presentes em quase todas as culturas devem ser compreendidos "símbolos relativamente fixos". Pois não se pode dizer como esse símbolo está sendo utilizado por essa psique. Jung diz que dizia a seus alunos "estudem tudo sobre simbolismo, e esqueçam na frente do seu cliente".

Os símbolos podem ser pessoas, lembranças, objetos ou situações que num determinado momento possibilitam mudanças de atitude da consciência frente ao inconsciente. A vivência dos símbolos dá um novo colorido a vida. Segundo Neumann, "Na vida simbólica, o ego não toma um conteúdo, mediante o lado racional da consciência, a fim de analisa-lo (...) mas em vez disso, a totalidade da psique se expõe ao efeito do símbolo e se deixa ´co-mover´ por ele. Essa permeabilidade afeta toda a psique e não unicamente a consciência." Assim, o homem vive no fascínio contínuo da descoberta, pois nada é simplesmente isto ou aquilo. Nada é banal.

A psicoterapia ou análise busca a harmonia entre o inconsciente e a consciência. Ou seja, a psicoterapia em si só é eficaz quando se torna símbolo ou simbólica para o cliente. Acontece que geralmente nesse tornar-se símbolo ou nessa busca "desesperada" pelo equilíbrio surge na terapia o problema da transferência. Para Jung, a transferência é uma expressão do apego à possibilidade da mudança de atitude da consciência. Muitas vezes a transferência é o que "lentifica" ou mesmo atrapalha o processo de transformação da personalidade, ou seja, a psicoterapia, por gerar uma certa dependência com a figura do psicoterapeuta. Visto por este aspecto, o "fazer artístico" confere autonomia ao individuo - pois a responsabilidade e o potencial para a mudança de atitude estão nele mesmo, sem criar a dependência do psicoterapeuta. Atividade criação e transformação dos materiais é simbolicamente a transformação da própria realidade psíquica.

A arte é uma agente de cura quando permite que o indivíduo reencontre os seus símbolos. Ou, em outras palavras, quando a arte se torna o símbolo mediador, ou função transcendente, para o indivíduo - se tornando a ponte entre o inconsciente e a consciência. Permitindo o processo de reequilíbrio psíquico e, mais, o restabelecimento da vida simbólica desse indivíduo, possibilitando a integração e assimilação dos símbolos, fornecendo a energia necessária ao ego, para que possa se diferenciar tanto do que lhe imposto socialmente quanto dos conteúdos inconscientes - como os complexos e arquétipos.

Jung costumava usar uma citação alquímica que dizia "Ars Totum Requirit Hominem" - que é "A arte exige o homem inteiro". Originalmente, essa "arte" referia-se à Alquimia, mas a implicação dela vai além, a "arte" é tanto a própria psicoterapia - que exige o terapeuta inteiro - quanto à própria vida. A psicoterapia, a arte e religião são formas da alma buscar e se fazer total ou inteira através da integração dos símbolos. Uma outra importante citação alquímica utilizada por Jung dizia "Habentibus symbolum facilis est transitus" - "Tendo o símbolo a travessia é fácil". Com a vivência e simbolização da vida a travessia é fácil. conseguimos passar pelos momentos tristes e felizes sem perdermos o encanto pela vida.