Para e por sonhadores, em busca de uma vida com mais sentido e poesia. Através de sermos inteiros.
segunda-feira, 18 de março de 2013
POEMA DE BORGES
Para uma versão do I Ching
JORGE LUIS BORGES
O porvir é tão irrevogável
como o rígido ontem.
Não há uma coisa
que não seja uma letra silenciosa
da eterna escrita indecifrável
cujo livro é o tempo.
Quem se afasta
de sua casa já retornou.
Nossa vida
é senda futura e percorrida.
Nada nos diz adeus. Nada nos deixa.
Não te rendas. O carcere é escuro,
a firme trama é de incessante ferro...
Mas de algum canto de seu encerro
pode haver um descuido, uma fenda.
O caminho é fatal como flecha
Mas nas gretas está Deus,
que espreita.
sexta-feira, 8 de março de 2013
OFÍCIO DE PASSARINHO
MANOEL DE BARROS
Desde sempre parece que
ele fora preposto a pássaro.
Mas não tinha preparatórios de uma árvore
Pra merecer no seu corpo ternuras de gorjeios.
Ninguém de nós, na verdade, tinha força de fonte.
Ninguém era início de nada.
A gente pintava nas pedras a voz.
E o que dava santidade às nossas palavras era
a canção do ver!
Trabalho nobre aliás mas sem explicação
Tal como costurar sem agulha e sem pano.
Na verdade na verdade
Os passarinhos que botavam primavera nas palavras.
Mas não tinha preparatórios de uma árvore
Pra merecer no seu corpo ternuras de gorjeios.
Ninguém de nós, na verdade, tinha força de fonte.
Ninguém era início de nada.
A gente pintava nas pedras a voz.
E o que dava santidade às nossas palavras era
a canção do ver!
Trabalho nobre aliás mas sem explicação
Tal como costurar sem agulha e sem pano.
Na verdade na verdade
Os passarinhos que botavam primavera nas palavras.
sábado, 2 de março de 2013
VIDA SIMPLES
era a de aumentar
o que não acontecia.
(Nós era um rebanho de guris.)
A gente era bem-dotado para aquele serviço
de aumentar o que não acontecia.
A gente operava a domicílio e pra fora.
E aquele colega que tinha ganho um olhar
de pássaro
Era o campeão de aumentar os desacontecimentos.
Uma tarde ele falou pra nós que enxergara um
lagarto espichado na areia
a beber um copo de sol.
Apareceu um homem que era adepto da razão
e disse:
Lagarto não bebe sol no copo!
Isso é uma estultícia.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
ALMA SIMPLES
JOHN MERRIT-FRANÇA-
MANOEL DE BARROS
MANOEL DE BARROS
Por forma que o dia era parado de
poste.
Os homens passavam as horas sentados na
porta da Venda
de Seo Mané Quinhentos Réis
que tinha esse nome porque todas as coisas
que vendia
custavam o seu preço e mais quinhentos réis.
Seria qualquer coisa como a Caixa Dois dos
prefeitos.
O mato era atrás da Venda e servia também
para a gente desocupar.
Os cachorros não precisavam do mato para
desocupar
Nem as emas solteiras que despejavam correndo.
No arruado havia nove ranchos.
Araras cruzavam por cima dos ranchos
conversando em ararês.
Ninguém de nós sabia conversar em ararês.
Os maridos que não ficavam de prosa na porta
da Venda
Iam plantar mandioca
Ou fazer filhos nas patroas.
A vida era bem largada.
Todo mundo se ocupava da tarefa de ver o dia
atravessar.
Pois afinal as coisas não eram iguais às cousas?
Por tudo isso, na Corruptela parecia nada
acontecer.
Os homens passavam as horas sentados na
porta da Venda
de Seo Mané Quinhentos Réis
que tinha esse nome porque todas as coisas
que vendia
custavam o seu preço e mais quinhentos réis.
Seria qualquer coisa como a Caixa Dois dos
prefeitos.
O mato era atrás da Venda e servia também
para a gente desocupar.
Os cachorros não precisavam do mato para
desocupar
Nem as emas solteiras que despejavam correndo.
No arruado havia nove ranchos.
Araras cruzavam por cima dos ranchos
conversando em ararês.
Ninguém de nós sabia conversar em ararês.
Os maridos que não ficavam de prosa na porta
da Venda
Iam plantar mandioca
Ou fazer filhos nas patroas.
A vida era bem largada.
Todo mundo se ocupava da tarefa de ver o dia
atravessar.
Pois afinal as coisas não eram iguais às cousas?
Por tudo isso, na Corruptela parecia nada
acontecer.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
TRILHA DA ALMA
TRILHA DA ALMA
ELIANA MIRANZI
CAMINHO BEM CEDO, NA MANHÃ CINZA,
QUE AINDA NÃO SE DECIDIU ENTRE SOL E CHUVA.
UM VENTO INSONSO, SEM MUITA OPINIÃO PRÓPRIA,
VISITA MEU ROSTO, BRINCA COM MEUS CABELOS,
DERRUBA FOLHAS E LEVANTA POEIRA.
A MARCHA É FIRME, EMBALADA PELO CANTO BRANDO
DO RIACHINHO QUE SEI QUE EXISTE ALÍ BEM PERTO,
E NO ENTANTO NUNCA O VÍ.
PASSARINHOS QUE NÃO MUDAM DE ASSUNTO,
REPETEM SEU RECADO MELÓDICO E ÚNICO.
OUTROS ENTRAM NO MEIO DA PROSA,
COM HARMONIAS ESTRANGEIRAS E INESPERADAS.
O MUNDO DAS AVES....MUITO A NOS ENSINAR.
A CADA CAMINHO A SUA LIÇÃO, A CADA TRILHA, A SUA FUNÇÃO.
HOJE, CAMINHEI PARA NÃO PERDER A ALMA.
ONTEM, PODE TER SIDO POR TÊ-L ENCONTRADO.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
A ALMA DO TEMPO
MANOEL DE BARROS
A de muito que na Corruptela onde a gente
vivia Não passava ninguém
Nem mascate muleiro
Nem anta batizada
Nem cachorro de bugre.
O dia demorava de uma lesma.
Até uma lacraia ondeante atravessava o dia
por primeiro do que o sol.
E essa lacraia ainda fazia uma estação de
recreio no circo das crianças
a fim de pular corda.
Lembrava a tartaruga de Creonte
que quando chegava na outra margem do rio
as águas já tinham até criado cabelo.
Por isso a gente pensava sempre que o dia
de hoje ainda era ontem.
A gente se acostumou de enxergar antigamentes.
vivia Não passava ninguém
Nem mascate muleiro
Nem anta batizada
Nem cachorro de bugre.
O dia demorava de uma lesma.
Até uma lacraia ondeante atravessava o dia
por primeiro do que o sol.
E essa lacraia ainda fazia uma estação de
recreio no circo das crianças
a fim de pular corda.
Lembrava a tartaruga de Creonte
que quando chegava na outra margem do rio
as águas já tinham até criado cabelo.
Por isso a gente pensava sempre que o dia
de hoje ainda era ontem.
A gente se acostumou de enxergar antigamentes.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
RE-CONHECIMENTO
VAN GOGH
ENCONTREI ESTE TEXTO NA NET, NÃO CONSEGUÍ DETECTAR AUTORIA.
SE ALGUÉM A RECONHECE, POR FAVOR, INDIQUE.
Cada um se pensa protagonista de sua própria história, mas as fronteiras do que é a história pessoal e a história do outro é muito tênue.
Não construímos nada sozinhos.
A nossa percepção de identidade unitária nos faz naturalmente auto-centrados e tentamos preservar o que há de melhor para nós mesmos, muitas vezes em detrimento do outro.
No entanto, saber reconhecer o valor no outro é o combustível para melhorar não só a relação com a alteridade quanto a relação que temos com o nosso próprio ser.
O elogio e o reconhecimento é a energia que harmoniza as relações. Dar um feedback positivo pode ser tão gratificante quanto receber. No momento em que se reconhece o valor do outro passamos a ser percebidos de uma maneira diferente, estabelecemos um elo relacional construtivo, um ciclo virtuoso fonte perene de criatividade e eficiência.
Saber reconhecer o valor de uma pessoa e declarar não é uma questão política, é um SABER.
Enxergar o positivo nas pessoas é uma habilidade que devemos cultivar. Quando vemos o positivo no outro, o outro também enxerga o nosso valor.
Não se trata de elogiar com a intenção de receber algum favor em troca, quando o elogio parte somente de uma estratégia de interesse isso é logo percebido, funcionando contra a suposta “estratégia”.
Elogiar e reconhecer vem de um cultivo particular de uma visão positiva e construtiva em relação a nós mesmos e ao mundo.
De fato temos uma influência muito grande no que ocorre de positivo e de negativo em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam.
Desenhamos cenários pessimistas ou otimistas, os dois são possíveis, temos o poder de trazer a tona realidades de acordo com nossa postura em relação à vida.
A lei da reciprocidade, a também chamada REGRA DE OURO está para as relações humanas assim como a lei da gravidade está para física.
A sabedoria popular e as religiões declararam a validade dessa lei de várias formas:
“É dando que se recebe”
“Se colhe o que se planta”
Esses simples aforismos vêm da percepção empírica de que só podemos colher o bem, se semeamos o bem.
Um quadro comparativo das religiões em relação à regra da reciprocidade nos ajuda a pensar:
No Zoroastrismo
Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela própria – Dadistan-i-Dinik 94:5
No Judaísmo:
O que é odioso para ti, não o faças ao próximo
No Confucionismo:
Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam – Confúcio
No Budismo:
Não atormentes o próximo com o que te aflige – Udana-Varga 5:18
No Hinduísmo:
Esta é a suma do dever: não faças aos outros aquilo que se a ti for feito, te causará dor – Mahabharata (5:15:17)
No Cristianismo:
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles – Jesus no Sermão da Montanha(Mt. 7, 12)
(Fonte Wikipédia)
No final da jornada, a verdadeira sabedoria está em reconhecer que não somos simplesmente protagonistas de nossa história, somos parte de uma história muito maior e que o centro está em todo lugar.
ENCONTREI ESTE TEXTO NA NET, NÃO CONSEGUÍ DETECTAR AUTORIA.
SE ALGUÉM A RECONHECE, POR FAVOR, INDIQUE.
Cada um se pensa protagonista de sua própria história, mas as fronteiras do que é a história pessoal e a história do outro é muito tênue.
Não construímos nada sozinhos.
A nossa percepção de identidade unitária nos faz naturalmente auto-centrados e tentamos preservar o que há de melhor para nós mesmos, muitas vezes em detrimento do outro.
No entanto, saber reconhecer o valor no outro é o combustível para melhorar não só a relação com a alteridade quanto a relação que temos com o nosso próprio ser.
O elogio e o reconhecimento é a energia que harmoniza as relações. Dar um feedback positivo pode ser tão gratificante quanto receber. No momento em que se reconhece o valor do outro passamos a ser percebidos de uma maneira diferente, estabelecemos um elo relacional construtivo, um ciclo virtuoso fonte perene de criatividade e eficiência.
Saber reconhecer o valor de uma pessoa e declarar não é uma questão política, é um SABER.
Enxergar o positivo nas pessoas é uma habilidade que devemos cultivar. Quando vemos o positivo no outro, o outro também enxerga o nosso valor.
Não se trata de elogiar com a intenção de receber algum favor em troca, quando o elogio parte somente de uma estratégia de interesse isso é logo percebido, funcionando contra a suposta “estratégia”.
Elogiar e reconhecer vem de um cultivo particular de uma visão positiva e construtiva em relação a nós mesmos e ao mundo.
De fato temos uma influência muito grande no que ocorre de positivo e de negativo em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam.
Desenhamos cenários pessimistas ou otimistas, os dois são possíveis, temos o poder de trazer a tona realidades de acordo com nossa postura em relação à vida.
A lei da reciprocidade, a também chamada REGRA DE OURO está para as relações humanas assim como a lei da gravidade está para física.
A sabedoria popular e as religiões declararam a validade dessa lei de várias formas:
“É dando que se recebe”
“Se colhe o que se planta”
Esses simples aforismos vêm da percepção empírica de que só podemos colher o bem, se semeamos o bem.
Um quadro comparativo das religiões em relação à regra da reciprocidade nos ajuda a pensar:
No Zoroastrismo
Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela própria – Dadistan-i-Dinik 94:5
No Judaísmo:
O que é odioso para ti, não o faças ao próximo
No Confucionismo:
Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam – Confúcio
No Budismo:
Não atormentes o próximo com o que te aflige – Udana-Varga 5:18
No Hinduísmo:
Esta é a suma do dever: não faças aos outros aquilo que se a ti for feito, te causará dor – Mahabharata (5:15:17)
No Cristianismo:
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles – Jesus no Sermão da Montanha(Mt. 7, 12)
(Fonte Wikipédia)
No final da jornada, a verdadeira sabedoria está em reconhecer que não somos simplesmente protagonistas de nossa história, somos parte de uma história muito maior e que o centro está em todo lugar.
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