Para e por sonhadores, em busca de uma vida com mais sentido e poesia. Através de sermos inteiros.
domingo, 7 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
CASA DE SONHOS
Vende-se uma casa encantada
no topo da mais alta montanha.
Tem dois amplos salões
onde você poderá oferecer banquetes
para os duendes e anões
que moram na floresta ao lado.
Tem jardineiras nas janelas,
onde convém plantar margaridas.
Tem quartos de todas as cores
que aumentam ou diminuem
de acordo com o seu tamanho
e na garagem há vagas
para todos os seus sonhos.
(Roseana Murray - Classificados Poéticos)
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O PODER DA IMAGEM
O PODER DE CRIAR IMAGENS-
ELIANA MIRANZI
TEMOS O DOM, O TALENTO DE CRIAR IMAGENS.
DEVEMOS USÁ-LO, APROVEITARMOS DISSO, TREINAR SEU USO PARA NOSSO PRÓPRIO BENEFÍCIO- PARA NOS CONHECERMOS MELHOR, NOS CURARMOS DE NOSSOS MALES, CONCEBER DIFERENTES MUNDOS, CRIAR INÚMERAS OUTRAS POSSIBILIDADES, QUE NÃO AS CHAMADAS DE “REAIS”...O QUE É REAL?
-USAR A IMAGINAÇÃO: IMAGEM EM AÇÃO.
A IMAGEM TEM FORÇA, É PODEROSA. DEVE SER BEM EXPLORADA.
IMAGENS QUE NÓS MESMOS CRIAMOS. AVISOS DA ALMA-RETRATOS DE NOSSA PSIQUE. AUTO-INFORMAÇÃO.
COMO JOGAR ISSO FORA?COMO DESPREZAR ISSO?
DO MESMO MODO, DEVEMOS TREINAR NOSSO OLHAR E ESTUDAR AS IMAGENS QUE APARECEM EM NOSSOS SONHOS- PODEROSO E MISTERIOSO ARTIFÍCIO (ARTE+ OFÍCIO) DE NOSSA DESCONHECIDA CONEXÃO COM TANTOS OUTROS MISTÉRIOS DO UNIVERSO.
UM BELO DIA, A IMAGEM DE QUE NECESSITAMOS, PARA ENTENDER NOSSO PARENTESCO COM TUDO O QUE EXISTE, NOS SURPREENDERÁ...
-IMAGENS DA ARTE, CRIADAS POR GÊNIOS E QUE PODEM NOS SOPRAR UM POUQUINHO DO ENTENDIMENTO DE QUEM SOMOS.
DE QUE MANEIRA NOS TOCAM?
O QUE NOS DIZEM?
O QUE QUEREM RELATAR?
IMAGENS DA LITERATURA DE FICÇÃO, DE RELATOS BEM ESCRITOS, DA POESIA...
ELAS TÊM O PODER DE, IMEDIATAMENTE APÓS SEREM LIDAS, APARECEREM COMO UMA REALIDADE PALPÁVEL EM NOSSAS MENTES.
IMPOSSÍVEL DESPREZAR ESTE TESOURO.
-AQUILO QUE “IMAGINAMOS”, CRIAMOS: EXISTE, É REAL, ACREDITE.
CRIE IMAGENS.
OBSERVE-MERGULHE FUNDO NELAS.
ANALISE- ESTUDE-PERCEBA-TOME POSSE.
FAÇA DE SUAS IMAGENS, VOCÊ.
FAÇA DE VOCÊ, INÚMERAS IMAGENS.
E COMPARTILHE.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
CÈZANNE E O MONTE SANTA VITÓRIA.
ELIANA MIRANZI
ESTA MONTANHA FICA PRÓXIMO A ONDE MOROU CÈZANNE, EM AIX-EN-PROVENCE,
NO SUL DA FRANÇA. CÈZANNE ERA OBCECADO POR ELA. PINTOU-A, ME PARECE , MAIS DE 60 VEZES.
TESTOU DIFRENTES DESENHOS, FORMAS, EXPLOROU A LUZ DO SOL INCINDINDO SOBRE ELA, EM DIFERENTES HORAS DO DIA E DIFERENTES ÉPOCAS DO ANO.DIZIA QUE TUDO NA NATUREZA TINHA FORMAS GEOMÉTRICAS. VIA O CONE, A ESFERA, O CILINDRO...DAÍ TER INFLUENCIADO OS FUTUROS CUBISTAS, E VEMOS SUA ARTE DESAGUAR EM BRAQUE, PICASSO E OUTROS.
A ARTE ERA A SOBREVIVÊNCIA, PARA CÈZANNE, QUE TEVE SÉRIOS PROBLEMAS DE RELACIONAMENTO COM O PAI, E OUTRAS PESSOAS. A ARTE O FAZIA CAPAZ DE VIVER. SEM ELA, TERIA MORRIDO MUITO MAIS JOVEM. E COM SUA ARTE NOS AJUDA TAMBÉM A VER, VIVER, SOBREVIVER. NOS ENSINA MUITO SOBRE O QUE É APRECIÁVEL EM ARTE, O QUE DEVEMOS OLHAR, COMO OLHAR, E O QUE SUAS IMAGENS NOS FALAM, DE SUA PESSOA, SEU TEMPO, SEU AMBIENTE, SEU CORAÇÃO...E SEU PSIQUISMO.
sábado, 15 de setembro de 2012
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
LIVRO:PEDRA SÓ.
(TRECHOS TIRADOS DO BLOG DE ROSEANA MURRAY)
"É da natureza do poeta
sonhar a essência do vento
e soprar na harpa os outros nomes
da pedra e da água."
pg 97
.............................................
"A arte da pedra é ser o silêncio que cresce"
pg 29
............................................
Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado.
pg 25
.......................................................
Eu chego no silêncio que acende
as quatro ferraduras do tempo
e encontro a inesgotável jazida,
catedral do rubi que me habita.
pg 73
sonhar a essência do vento
e soprar na harpa os outros nomes
da pedra e da água."
pg 97
.............................................
"A arte da pedra é ser o silêncio que cresce"
pg 29
............................................
Na Pedra Só,
as formigas tecem as escrituras
no abismo da noite tão enorme
e o espantalho veste a seda do orvalho
para receber de braços abertos,
o sabor das auroras, o sagrado.
pg 25
.......................................................
Eu chego no silêncio que acende
as quatro ferraduras do tempo
e encontro a inesgotável jazida,
catedral do rubi que me habita.
pg 73
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
GRATIDÃO
ANDRÉ
COMTE-SPONVILLE – GRATIDÃO-
A gratidão
é a mais agradável das virtudes; não é, no entanto, a mais fácil. Por que
seria? Há prazeres difíceis ou raros, que nem por isso são menos agradáveis.
Talvez sejam até mais. No caso da gratidão, todavia, a satisfação surpreende
menos que a dificuldade. Quem não prefere receber um presente que um tapa?
Agradecer à perdoar? A gratidão é um segundo prazer, que prolonga um primeiro,
como um eco de alegria à alegria sentida, como uma felicidade a mais para um
mais de felicidade. O que há de mais simples? Prazer de receber, alegria de ser
alegre: gratidão. O fato de ela ser uma virtude, porém, basta para mostrar que
ela não é óbvia, que podemos carecer de gratidão e que, por conseguinte, há
mérito - apesar do prazer ou, talvez, por causa dele - em senti-la. Mas por
quê? A gratidão é um mistério, não pelo prazer que temos com ela, mas pelo
obstáculo que com ela vencemos. É a mais agradável das virtudes, e o mais
virtuoso dos prazeres.
..A gratidão se regozija com o que aconteceu, ou com o que é; ela é, portanto, o inverso do arrependimento ou da nostalgia (que sofrem com um passado que se foi, ou que não é mais), como também da esperança e da angústia, que desejam ou temem (desejam e temem) um futuro que ainda não é, que talvez nunca seja, mas que as tortura com sua ausência... Gratidão ou inquietude. A alegria do que é ou foi, contra a angustia do que poderia vir a ser. “A vida do insensato”, dizia Epicuro, “é ingrata e inquieta: ela se volta toda para o futuro” Por isso eles vivem em vão, incapazes de se saciarem, de se satisfazerem, de serem felizes: eles não vivem, dispõem-se a viver, como dizia Sêneca, esperam viver, como dizia Pascal, depois lamentam o que viveram ou, mais freqüentemente, o que não viveram... O passado como o futuro, lhes falta. Já o sábio regozija-se com viver, claro, mas também com ter vivido. A gratidão (charis) é essa alegria da memória, esse amor do passado - não o sofrimento do que não é mais, nem o pesar pelo que não foi, mas a lembrança alegre do que foi. É o tempo reencontrado, se quisermos (“A gratidão do que foi”, diz Epicuro). Compreendemos que esse tempo torna a idéia da morte indiferente, como dirá Proust, pois aquilo que vivemos, a própria morte, que nos levará, não poderá tomar de nós os bens imortais, diz Epicuro, não porque não morremos, mas porque a morte não poderia anular o que vivemos, o que fugidia e definitivamente vivemos. A morte só nos privará do futuro, que não é. A gratidão liberta-nos dele, pelo saber alegre do que foi. O reconhecimento é um conhecimento ( ao passo que a esperança nada mais é do que imaginação); é por aí que ela alcança a verdade, que é eterna, e a habita. Gratidão: desfrutar eternidade.
Isso não nos restituirá o passado, objetar-se-á a Epicuro, nem o que perdemos...Sem dúvida, mas quem pode fazê-lo? A gratidão não anula o luto, consuma-o:”É necessário curar os infortúnios com a lembrança reconhecida do que perdemos, e pelo saber de que não foi possível tornar não-consumado o que aconteceu. Pode haver formulação mais bela do trabalho de luto? Trata-se de aceitar o que é, também o que não é mais, e de amá-lo como tal, em sua verdade, em sua eternidade: Trata-se de passar da dor atroz da perda à doçura da lembrança, do luto a consumar ao luto consumado (“a lembrança reconhecida do que perdemos”), da amputação à aceitação, do sofrimento à alegria, do amor dilacerado ao amor apaziguado,. “Doce é a lembrança do amigo desaparecido” dizia Epicuro - a gratidão é essa própria doçura, quando se torna alegre. No entanto, o sofrimento é mais forte primeiro: “Que terrível ele ter morrido!” Como poderíamos aceitar? Por isso o luto é necessário, por isso o luto é difícil,, por isso é doloroso. Mas a alegria retorna, apesar dos pesares. “Que bom ele ter vivido!” Trabalho de luto: trabalho de gratidão.
...A gratidão é alegria, repitamos, a gratidão é amor...Alegria somada a alegria: amor somado a amor. A gratidão é nisso o segredo da amizade, não pelo sentimento de uma dívida, pois nada se deve aos amigos, mas por superabundância de alegria comum, de alegria recíproca, de alegria partilhada. “ A amizade conduz sua dança ao redor do mundo”, dizia Epicuro, “convidando todos nós a despertar para dar graças”. Obrigado por existir, dizem um ao outro, e ao mundo e ao universo. Essa gratidão é de fato uma virtude, pois é a felicidade de amar e é a única.
Fragmentos do texto “A GRATIDÃO”. André Comte-Sponville - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - Martins Fontes. São Paulo. 1996.
..A gratidão se regozija com o que aconteceu, ou com o que é; ela é, portanto, o inverso do arrependimento ou da nostalgia (que sofrem com um passado que se foi, ou que não é mais), como também da esperança e da angústia, que desejam ou temem (desejam e temem) um futuro que ainda não é, que talvez nunca seja, mas que as tortura com sua ausência... Gratidão ou inquietude. A alegria do que é ou foi, contra a angustia do que poderia vir a ser. “A vida do insensato”, dizia Epicuro, “é ingrata e inquieta: ela se volta toda para o futuro” Por isso eles vivem em vão, incapazes de se saciarem, de se satisfazerem, de serem felizes: eles não vivem, dispõem-se a viver, como dizia Sêneca, esperam viver, como dizia Pascal, depois lamentam o que viveram ou, mais freqüentemente, o que não viveram... O passado como o futuro, lhes falta. Já o sábio regozija-se com viver, claro, mas também com ter vivido. A gratidão (charis) é essa alegria da memória, esse amor do passado - não o sofrimento do que não é mais, nem o pesar pelo que não foi, mas a lembrança alegre do que foi. É o tempo reencontrado, se quisermos (“A gratidão do que foi”, diz Epicuro). Compreendemos que esse tempo torna a idéia da morte indiferente, como dirá Proust, pois aquilo que vivemos, a própria morte, que nos levará, não poderá tomar de nós os bens imortais, diz Epicuro, não porque não morremos, mas porque a morte não poderia anular o que vivemos, o que fugidia e definitivamente vivemos. A morte só nos privará do futuro, que não é. A gratidão liberta-nos dele, pelo saber alegre do que foi. O reconhecimento é um conhecimento ( ao passo que a esperança nada mais é do que imaginação); é por aí que ela alcança a verdade, que é eterna, e a habita. Gratidão: desfrutar eternidade.
Isso não nos restituirá o passado, objetar-se-á a Epicuro, nem o que perdemos...Sem dúvida, mas quem pode fazê-lo? A gratidão não anula o luto, consuma-o:”É necessário curar os infortúnios com a lembrança reconhecida do que perdemos, e pelo saber de que não foi possível tornar não-consumado o que aconteceu. Pode haver formulação mais bela do trabalho de luto? Trata-se de aceitar o que é, também o que não é mais, e de amá-lo como tal, em sua verdade, em sua eternidade: Trata-se de passar da dor atroz da perda à doçura da lembrança, do luto a consumar ao luto consumado (“a lembrança reconhecida do que perdemos”), da amputação à aceitação, do sofrimento à alegria, do amor dilacerado ao amor apaziguado,. “Doce é a lembrança do amigo desaparecido” dizia Epicuro - a gratidão é essa própria doçura, quando se torna alegre. No entanto, o sofrimento é mais forte primeiro: “Que terrível ele ter morrido!” Como poderíamos aceitar? Por isso o luto é necessário, por isso o luto é difícil,, por isso é doloroso. Mas a alegria retorna, apesar dos pesares. “Que bom ele ter vivido!” Trabalho de luto: trabalho de gratidão.
...A gratidão é alegria, repitamos, a gratidão é amor...Alegria somada a alegria: amor somado a amor. A gratidão é nisso o segredo da amizade, não pelo sentimento de uma dívida, pois nada se deve aos amigos, mas por superabundância de alegria comum, de alegria recíproca, de alegria partilhada. “ A amizade conduz sua dança ao redor do mundo”, dizia Epicuro, “convidando todos nós a despertar para dar graças”. Obrigado por existir, dizem um ao outro, e ao mundo e ao universo. Essa gratidão é de fato uma virtude, pois é a felicidade de amar e é a única.
Fragmentos do texto “A GRATIDÃO”. André Comte-Sponville - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - Martins Fontes. São Paulo. 1996.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
VIAGEM À MIM
"Sumo de idéias"
Esqueci a tal exatidão. Dar nome aos bois, colocar os pingos nos "is", bater de frente. Tirei férias disso tudo. Se algum desaforo bater à minha porta, não atendo. Canto ciranda, enfeito minhas tranças, converso com a esperança. Perdi minha mala carregada de ressentimentos na estrada do sossego. Mudei a rota, arranquei as portas que aprisionavam meu sorriso. Me perdi do tempo. Me encontrei em mim.
Esqueci a tal exatidão. Dar nome aos bois, colocar os pingos nos "is", bater de frente. Tirei férias disso tudo. Se algum desaforo bater à minha porta, não atendo. Canto ciranda, enfeito minhas tranças, converso com a esperança. Perdi minha mala carregada de ressentimentos na estrada do sossego. Mudei a rota, arranquei as portas que aprisionavam meu sorriso. Me perdi do tempo. Me encontrei em mim.
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